A. American Geriatrics Society 2019 Updated AGS Beers Criteria for Potentially Inappropriate Medication Use in Older Adults 2019

Em 2019, a American Geriatric Society revisou os critérios de Beers para Medicamentos Potencialmente Inapropriados para idosos (MPI) e publicou sua 6a edição. Como escrevemos no livro A ARTE DA (DES)PRESCRIÇÃO NO IDOSO (2018), o critério de Beers foi pioneiro e é aquele com maior número de revisões (versões de 1991, 1997, 2003, 2012, 2015 e 2019), com grande ampliação de sua abrangência e representatividade. Todavia, a validação do seu impacto não é tão expressiva e  apresenta a limitação de abranger apenas medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico  dos EUA. Menos de 50% dos critérios disponíveis foram devidamente validados, limitando seu uso na prática clínica. O Sistema FORTA (Fit fOR The Aged) e o STOPP (Screening Tool of Older People's Prescriptions) / START(Screening Tool to Alert to Right Treatment) apresentam dados mais robustos na prevenção das RAM e avaliação do impacto nos desfechos mais importantes nos idosos. Existem outras listas de MPI que devem ser consideradas na prática clínica, como a PRISCUS, EU(7)-PIM, NORGEP, Taiwan-PIM, McLeod, IPET, Australian Tool, ACOVE, Screening Tool for Japanese e a lista brasileira. Todas apresentam vantagens e desvantagens. As principais desvantagens do Critério de Beers são: ausência de lista positiva (medicamentos potencialmente apropriados), ausência de indicação de terapias alternativas e ausência de foco no idoso frágil.

Podemos sintetizar as 10 principais mudanças da seguinte forma, em ordem de importância na prática clínica (anexo 1, tabelas 8 e 9 do artigo):

1. Uso de AAS para prevenção primária de doença cardiovascular e câncer colorretal (anexo 2): recomendação de uso cauteloso em idosos com 70 anos ou mais, associada com moderada qualidade de evidência. Na versão anterior, a idade sugerida era de 80 anos e a qualidade da evidência era considerada baixa. A posição do NUGG (página 268 - A ARTE DA (DES)PRESCRIÇÃO NO IDOSO, 2018) é exatamente esta: "A tendência atual é contraindicar o uso de AAS em adultos com idade ≥ 70 anos, independentemente do risco cardiovascular, como prevenção primária."

2. Dabigatrana e Rivaroxabana (anexo 2): aumento do risco de sangramento gastrointestinal quando comparados com varfarina e com os outros anticoagulantes novos (NOACs). 

3. Glimepirida (Anexo 4): apresenta risco de hipoglicemia semelhante àquele descrito com a Glibenclamida e Clorpropramida Foi incluído no mesmo grupo de hipoglicemiantes contraindicados para o idoso (Clorpropramida, Glimepirida e Gliburida/Glibenclamida).

4. Tramadol como medicamento com alto risco de hiponatremia/SIHAD (Anexo 2): monitorar regularmente os níveis séricos de potássio.

5. Anticonvulsivantes e Inibidores de Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN) (Anexo 3): devem ser evitados em idosos com história de quedas e/ou fraturas por fragilidade.

6. Sulfametoxazol-Trimetropina (Anexo 2): alto risco de hipercalemia quando usado em associação com inibidores da enzima conversora (IECA) ou Antagonistas do Receptor da Angiotensina 2 (ARA2), na presença de doença renal crônica.

7. Novas interações clinicamente relevantes (Anexo 1): Opióide com benzodiazepínicos (risco elevado de superdosagem), opióde com gabapentina ou pregabalina (alto risco de sedação excessiva e parada respiratória), fenitoína com sulfametoxazol/trimetropina (risco elevado de toxicidade pela fenitoína), varfarina com ciprofloxacina ou macrolídeos (exceto azitromicina) ou sulfametoxazol/trimetropina (risco elevado de sangramento).

8. Pimavanserina como antipsicótico na doença de Parkinson (Anexo 3): inclusão da pimavanserina ao grupo de antipsicóticos de escolha para tratamento da psicose na doença de Parkinson (Clozapina, Quetiapina e Pimavanserina). O Aripiprazol foi excluído deste grupo, por existirem outros antipsicóticos de 1a escolha.

9. Melhor explicação do esquema Insulin, sliding scale (Anexo 4):  evitar esquemas de insulina baseadas exclusivamente no uso de insulina regular ou de curta ação, conforme glicemia capilar, sem o uso de insulina de longa ação.

10. Dextrometorfano + Quinidina (Anexo 2): evitar o uso para tratamento dos sintomas comportamentais da demência pela limitada eficácia e baixa segurança (alto risco de quedas e de interações medicamentosas). 

Por último, foi excluído o item referente aos medicamentos que poderiam agravar a insônia, por não ser específico para idosos.

Os autores reiteram que a utilização dos Critérios de Beers não deve ter caráter punitivo e, principalemente, não deve suplantar o julgamento clínico e as preferências, desejos e expectativas do paciente, tampouco restringir, excessivamente, o acesso aos medicamentos citados na lista.

 

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